Wanda Alves apenas delineia o caminho da sua busca! Nos dá o roteiro, mas não mostra onde ele vai terminar. Vemos uma insistente procura que persevera ao longo de todo esse subtexto que é um solilóquio doce, mas inquietante e doído. É uma procura por alguém que ela conhece, mas também desconhece e que está ao mesmo tempo em seu encalço: ela mesma! Pode ser uma mulher, mas pode ser também um homem, porque na sua “voz” surge um ser masculino que muitas poetisas não ousam mostrá-lo. A poesia não tem sexo, mas sentimentos! A poesia, por ser uma linguagem sintética e conter em si mesma a expressão mais pura da alma, fala muito pouco;  o tempo de que a alma dispõe é somente para sentir, e o sentimento rouba o tempo dos vocábulos; só no coração guardamos todos  os silêncios e todas as palavras: do outro que não é senão o nós mesmos. A síntese da poesia é o que enreda e nos captura, e Wanda sabe usar essa ferramenta  mágica com bastante destreza e domínio. Ficamos deslumbrados com a estética, a sofisticação e a melodia dos seus versos, ao mesmo tempo que somos capturados e levados para a mais profunda reflexão. Penso que a poesia que não nos faz sentir e ao mesmo tempo refletir não é poesia. Ela precisa ser também desconcertante. Benditos sejam os poetas contemporâneos, como Wanda, que nos brindam com o afloramento da Nova Poesia, ou os clássicos como Rainer Maria Rilke, que nos permitem enxergar tanto o mais feio quanto o mais belo de nós mesmos.

Nathália da Silva Gomes

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