Retoma a tônica da paixão, essa emoção arrebatadora que muitos poetas precisam e utilizam para se conectarem consigo mesmos e se comunicarem com a vida e com o mundo. “…O espelho que nem sempre reflete o que somos, mas, certamente, convoca nossas contradições.” Wanda Alves nos faz um convite à reflexão. Os opostos, tão constantes em sua trajetória poética, nos instigam e nos fazem provar do aniquilamento ao mesmo tempo em que nos arremetem aos céus. Em seu “silêncio fecundo” há um busca interna que a faz sempre desejar o mergulho e o voo. Em seu desejo de descobrir seu “tom, seu compasso, suas nuances, seu traço”, tenta segura o tempo na paixão e pela consciência sabe estar perdido. O “medo a salva sempre” Sem dúvida, as palavras e as cores são lanternas no caminho para o encontro consigo mesma. Wanda quer festejar conosco sua colheita farta e variada se sabendo “terra serena, bela, descansada”, esperando apenas nova semeadura nesse presente de “Entressafra”.

Guiomar Paiva

“Conhecedora da Paixão em suas inúmeras facetas, Wanda Alves perpassa mais uma de suas dimensões e permite-nos entrever um pouco mais do seu mistério. Em seu novo arrebatamento, condição experenciada por todos aqueles que são conduzidos pela Paixão, a luz que se configura sugere a passagem para a maturidade. Entressafra representa a ruptura da corrente inexorável do tempo e seus ritmos; não se trata do movimento de expansão e contração do universo nem de suas expressões biológicas no corpo físico, mas da pausa assinalada por aquele instante fugaz que não é passado nem futuro, não é sístole nem diástole. E o intervalo entre a inspiração e a expiração através do qual o yogue salta da finitude para a eternidade. A Paixão que então emerge é a experiência arrebatadora do Sagrado, já afirmada anteriormente por Santa Tereza de Ávila. Wanda vislumbra esta condição no momento do Entressafra “livre, despojado, descomprometido, desprendido,” como se exercitando o domínio sobre o querer e o não querer, o que possibilita, antes de “tocar a alma”, entrar em contato com a sua dimensão profunda. É quando a Paixão que vive possibilita-se “adquirir o poder de ouvir o sussurro dos anjos e compreendê-los”. Em Entressafra, somos conduzidos pelas mãos da autora à busca da luz imorredoura. Quando chegamos naquele lugar onde a “Eternidade permanece” Wanda nos deixa e então fica a impressão do seu sorriso ao mesmo tempo suave e maroto. Agora ela pode ser “velha e ser menina”. Como então poderemos prosseguir? Talvez não seja difícil: A nossa alma foi tocada!”

Paulo Machado

“Quando recebi o convite de Wanda Alves para prefaciar seu novo livro de poesias “Entressafra”, confesso ter sentido um misto de sentimentos diametralmente opostos. De um lado uma obtusa, mas persistente racionalidade que me dizia não ser eu a pessoa mais adequada para tal ofício: prefaciar sobre poesias e sua poetisa. Por outro lado, o desejo de me aventurar por esse novo caminho, onde o contato com emoções e sentimentos se faz de forma íntima e intensa, puxava-me tal qual um imã. Entre o desejo e a razão optei pelo primeiro e aqui estou tentando cumprir essa nobre e prazerosa tarefa. Dizem os sábios que deveríamos ler ao menos uma poesia todos os dias, de preferência pela manhã, ao despertarmos. Dessa forma, poderíamos ter nossas mentes invadidas por alguns versos que supostamente velariam nossos sonos ao repousarem em um belo livro em nossas cabeceiras. Infelizmente isso não ocorre para a maioria de nós. Alegamos falta de tempo, de vontade, de conhecimento, de tranquilidade ou excesso de afazeres. São os filhos, o marido, os trabalhos extras, a necessidade de ver os noticiários logo pela manhã e por aí vai uma série de desculpas, que se enfileiram na relação de abandono que estamos com a poesia no nosso dia-a-dia. Ao ler “Entressafra”, um pouco a cada manhã nessa última semana, pude constatar que os sábios estão cobertos de razão. Os versos contidos nas poesias desse livro me fizeram experimentar os mais variados e profundos sentimentos. Cada um deles me fez abrir o “escaninho da alma” no exercício mágico de viver e/ou reviver a exuberância de emoções tão humanas contidas na paixão, no amor, na dor, na generosidade, na fé, na liberdade, na devoção, na contradição, na aflição, na inquietação, na angústia, na comunhão, no sagrado e no Divino. Os versos contidos no livro de Wanda Alves nos convidam a esse encontro terapêutico e sublime entre a poesia e o nosso caminhar. Um encontro que desperta a opulência de nossos afetos, do amor e da vida reprimidos, capaz de amenizar a “aridez” constante de nossos dias tão modernos e tão carentes de brandura, doçura, leveza e profundidade.”

Dra. Ana Beatriz (Psiquiatra e escritora) Autora dos best sellers: “Mentes & Manias”, “Mentes Inquietas”, “Mentes com medo” e etc.

Siga minha Fanpage

Produto Recomendado